Os riscos da desinformação para os investidores: A importância da apuração no mercado financeiro

Os Riscos da Desinformação para os Investidores: A Importância da Apuração no Mercado Financeiro

A desinformação no mercado financeiro evidencia a importância de uma comunicação responsável. Já no primeiro semestre de Jornalismo, somos apresentados às teorias da comunicação, base fundamental para a formação de qualquer profissional da área. Esses conceitos devem acompanhar toda a carreira e servir como referência para uma atuação ética e comprometida com a verdade.

Além disso, essas teorias fazem parte do nosso cotidiano e vão muito além da apuração jornalística. Elas mostram por que verificar os fatos é essencial. Quando informações são divulgadas sem a devida apuração, aumentam os riscos de erros, a credibilidade dos veículos é comprometida e a desinformação ganha espaço. No mercado financeiro, essa realidade exige ainda mais atenção.

O processo de comunicação: uma estrutura em constante movimento.

Nos modelos clássicos da comunicação, a informação percorre um fluxo até chegar ao seu destinatário. Esse processo explica como ocorre a comunicação de massa e como a sociedade forma opiniões. Podemos entendê-lo como um ciclo composto pelos seguintes elementos:

  • Emissor: quem transmite a mensagem.
  • Mensagem: a informação comunicada.
  • Canal: o meio utilizado para transmitir a mensagem, como e-mail, telefone, televisão ou redes sociais.
  • Receptor: quem recebe a mensagem.
  • Feedback: a resposta do receptor ao emissor, concluindo o processo de comunicação.

Ruídos na comunicação e seus impactos na desinformação do mercado financeiro

Mas o que acontece quando esse processo não ocorre de forma adequada?

Imagine uma ligação telefônica em que uma interferência no sinal impede a compreensão de parte da conversa. Esse é um exemplo de ruído na comunicação.

Além disso, os ruídos representam barreiras que dificultam ou impedem a correta interpretação da mensagem. Eles podem surgir por fatores externos, como barulhos e falhas técnicas, ou pela utilização de linguagem excessivamente técnica, falta de contexto e ambiguidades.

Para reduzir esses problemas, é fundamental escolher o canal adequado, explicar termos técnicos quando necessário, organizar as informações com clareza e praticar uma escuta ativa.

Assim, conhecer a estrutura da comunicação torna o leitor mais crítico e consciente. Dessa forma, ele consegue identificar informações confiáveis e reconhecer possíveis casos de desinformação.

Agenda Setting e a influência da mídia na formação da opinião pública.

A teoria da Agenda Setting, desenvolvida por Maxwell McCombs e Donald Shaw na década de 1970, propõe que os meios de comunicação influenciam os temas que passam a ser considerados relevantes pela sociedade. Embora a mídia não determine necessariamente o que as pessoas devem pensar, ela exerce forte influência sobre os assuntos sobre os quais elas pensam e discutem.

Ao publicar uma notícia — gênero jornalístico caracterizado pela objetividade e pelo relato de acontecimentos de interesse público — o jornalista ajuda a definir quais temas ganharão visibilidade e espaço no debate público.

Muito se fala sobre a influência da mídia na formação da opinião pública. Entretanto, surge um questionamento importante: quem decide quais assuntos estarão em evidência? Quem define que uma pauta merece destaque?

O jornalista Ricardo Noblat resgata essa reflexão ao afirmar que as notícias são aquilo que os jornalistas escolhem oferecer ao público. Essa perspectiva demonstra que a comunicação é uma instituição social atravessada por questões éticas, editoriais e, muitas vezes, políticas.

Desse modo, os jornalistas assumem uma grande responsabilidade social. Afinal, ajudam a definir quais acontecimentos receberão atenção da sociedade, assegurando o direito à informação e contribuindo para a construção do debate público.

A desinformação no mercado financeiro  

Ao analisarmos o mercado financeiro, percebemos que a transmissão das informações exige extrema sensibilidade. O redator precisa realizar uma curadoria criteriosa dos dados antes da publicação. Afinal, qualquer erro pode provocar impactos reais nas operações de compra e venda.

Além disso, notícias equivocadas aumentam a volatilidade do mercado, afetando índices, moedas, ações e títulos públicos.

Segundo o levantamento publicado no artigo “O custo invisível da desinformação: como narrativas falsas ameaçam reputação e resultados financeiros das empresas”, da DeBernt – Recrutamento e Desenvolvimento Executivo, a Universidade de Baltimore uniu-se à empresa de cibersegurança CHEQ para estimar o prejuízo anual causado pela desinformação. O estudo apontou perdas de aproximadamente US$ 78 bilhões.

Não apenas os investidores sofrem os impactos da falta de qualidade das informações. As empresas também enfrentam prejuízos no relacionamento com consumidores quando deixam de analisar determinados conteúdos de forma adequada.

Da mesma forma, o blog Ativa Investimentos, na matéria “Fake News e o Mercado Financeiro: O impacto da desinformação”, explica como avaliações falsas influenciam diretamente o comportamento de compra e provocam movimentos irracionais no mercado.

Como identificar e evitar a desinformação no mercado financeiro

Além disso, outra forma de manifestação da desinformação no mercado financeiro é a chamada “monetização da mentira”. Nesse cenário, usuários, muitas vezes sem conhecimento técnico, divulgam informações falsas para promover seus próprios conteúdos nas redes sociais.

Como consequência, os algoritmos impulsionam essas publicações, que recebem ainda mais engajamento. Esse ciclo incentiva a disseminação contínua de conteúdos sem responsabilidade.

No mercado financeiro, a informação possui valor estratégico e influencia diretamente as decisões econômicas. Por isso, a qualidade da comunicação deixa de ser apenas uma prática jornalística e passa a representar um compromisso ético com toda a sociedade. A apuração precisa transmitir segurança e confiança aos investidores.

Diante desse cenário, surge uma pergunta importante: como podemos nos proteger da desinformação no mercado financeiro?

  • Reavaliar as informações e verificar se outros veículos de comunicação ou a imprensa financeira também publicaram o conteúdo.
  • Verificar a autoria, a data de publicação e as referências utilizadas pelo autor.
  • Consultar os departamentos de Relações com Investidores (RI), responsáveis por divulgar informações transparentes sobre as estratégias das empresas.
  • Buscar documentos públicos publicados por órgãos reguladores, relatórios econômicos e informações oficiais da bolsa de valores.

Considerações finais

Por fim, a eficácia da transmissão da informação depende tanto da velocidade quanto da qualidade do conteúdo divulgado. Afinal, informações confiáveis promovem reflexões e influenciam decisões que produzem impactos no presente e no futuro.

Portanto, combater a desinformação exige uma responsabilidade compartilhada. De um lado, o leitor deve desenvolver uma postura crítica, verificar as fontes e evitar compartilhar conteúdos sem confirmação. De outro, o comunicador precisa garantir a veracidade das informações por meio de uma apuração rigorosa e de um compromisso ético permanente.

Afinal, em um ambiente que movimenta recursos, influencia decisões e depende da credibilidade, devemos ter como principal referência uma única fonte: a informação transparente. Nesse contexto, transparência, responsabilidade e atenção caminham lado a lado aqui na Nambbu.

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Gabriella Almeida

Como Social Media na Nambbu, estou construindo minha trajetória profissional enquanto curso Design Gráfico na Universidade de Belas Artes de São Paulo. Ao longo das minhas experiências, desenvolvi uma visão estratégica sobre comunicação, marketing e produção de conteúdo, atuando em diferentes segmentos, como uma clínica odontológica e navios de cruzeiro, onde adquiri um repertório internacional e uma ampla compreensão sobre diferentes culturas e formas de comunicação.